"PESQUISA COM CÉLULAS-TRONCO"
Autor: MARCELO GLEISER
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Quando: 13 DE MAIO
FOLHA DE SÃO PAULO
Marcelo Gleiser
A célula e o tribunal
Pesquisa com embrião deve ser debatida sem viés religioso
Dia 20 de abril de 2007 ficará registrado como a data em que o Supremo Tribunal Federal (STF) realizou, pela primeira vez nos seus 178 anos de história, uma audiência pública. Nada como a transparência para alavancar o processo democrático que, sem ela, é inviável. A pauta não poderia ter sido mais apropriada e relevante: a decisão sobre o uso de células-tronco embrionárias nas pesquisas que visam desenvolver curas para uma série de doenças que matam ou incapacitam milhões de pessoas, do mal de Parkinson e do diabetes às paralisias causadas por danos à medula espinhal. Fiquei orgulhoso quando soube que 96% dos senadores e 85% dos deputados federais aprovaram a passagem da Lei de Biossegurança em 2005, e que o Presidente da República fez o mesmo. Decisões como esta estão sendo duplicadas pelo mundo afora, pelo menos nos países que levam a pesquisa científica a sério, dada a promessa clínica desses futuros tratamentos. Mas meu orgulho durou pouco. Foi durante a sessão aberta do STF, onde 34 cientistas foram convidados para depor sobre a questão das células-tronco e suas implicações éticas, que a natureza do processo ficou clara. Primeiro, é importante lembrar que a lei parou no STF devido à ação do subprocurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que a considera inconstitucional. Seu argumento, semelhante ao de grupos conservadores aliados da Igreja Católica, é que assim que o espermatozóide funde-se ao óvulo, está se falando de um ser vivo: destruir o embrião para extrair-lhe as células-tronco seria assassiná-lo. A questão debatida assiduamente pelos cientistas, e que monopoliza a opinião pública, é determinar onde começa a vida. Entretanto, a resposta é completamente irrelevante para este debate. Isto por que não se está propondo a criação de fábricas de embriões para extração de suas células-tronco, a clonagem de humanos ou outros cenários funestos que incitam os piores pesadelos de livros e filmes de ficção científica. O que se propõe é a utilização dos embriões que seriam descartados por clínicas de reprodução por serem inviáveis, como argumentou a pró-reitora de pesquisa da USP, a geneticista Mayana Zatz. Que fim mais digno pode ter um embrião condenado à destruição do que participar de uma pesquisa que tem o potencial de salvar milhões de pessoas? A escolha me parece semelhante, ao menos em parte, à dos que doam seus órgãos para transplantes. Ao menos partes de seus corpos poderão ajudar aqueles em necessidade, em vez de apodrecerem sob a terra ou de serem cremadas. Focar o debate constitucional na questão de onde começa a vida é desviá-lo para o inevitável conflito religioso, tirando seu mérito científico. Não surpreende que Fonteles, franciscano, tenha acusado a doutora Zatz, judia, de ser influenciada por sua religião, que diria que a vida começa no nascimento e não na fecundação. Ora, é claro então que a posição de Fonteles é baseada em sua fé e não em qualquer consideração científica. A primeira audiência pública do STF, um momento histórico para o Brasil, transformou-se numa troca de acusações de cunho religioso. Enquanto isso, milhões de pessoas continuam morrendo e os embriões apodrecendo nos congeladores ou no lixo. A questão do uso de embriões decretados inviáveis para reprodução na pesquisa médica deve ser separada da questão religiosa. A missão da ciência é aliviar o sofrimento humano. A da religião também. A única inconstitucionalidade aqui é ir contra os votos dos representantes do povo e impedir que essa missão seja cumprida.
MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro "A Harmonia do Mundo"
Categoria: Citação
Escrito por Prof. Vicente às 14h02
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Desabafo
A IDADE MÉDIA AO VIVO!
Assitindo à missa campal no Campo de Marte, pela televisão, nesta sexta-feira, 11 maio de 2007, tive a nítida impressão de estar vendo a Idade Média ao vivo. É impressionante a forma pela qual o desespero, a infelicidade, a falta de perspectiva deste nosso mundo, nos inícios do século XXI, faz regredir a consciência humana e aumentar a quantidade de aproveitadores. Se a salvação humana dependesse de religião estaríamos salvos! O Oriente Médio seria uma seara de paz e felicidade. No entanto, quanto mais miséria, mais religião, mais fundamentalismo, mais aproveitadores. Qual a utilidade destes homens paramentados, este séquito de imprestáveis vestidos de seda e adornados por crucifixos de ouro, para a humanidade? Mais vale um médico, um professor, um pedreiro, um lixeiro etc. que mil destes padres, bispos, cardeais e outros imprestáveis. Desculpem esta minha revolta, este meu desabafo, mas em pleno século XXI presenciar atos medievais ao vivo me choca. Somente para completar este meu desabafo, vale a pena rever a fala de Karl Marx, pronunciada há mais de cento e sessenta anos atrás, mas que comparado aos atos medievais explícitos veiculados hoje, via satélite, se tornam extremamente atuais:
"A miséria religiosa é, de um lado, a expressão da miséria real e, de outro, o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura aflita, o estado de ânimo de um mundo sem coração, porque é o espírito da situação sem espírito. A religião é o ópio do povo."
"A superação da religião como felicidade ilusória do povo é a exigência de sua felicidade real. A exigência de abandonar as ilusões sobre sua situação é a exigência de abandonar uma situação que precisa de ilusões. A crítica da religião é, portanto, o germe da crítica do vale de lágrimas, cuja aparência sagrada é a religião."
In: Crítica da Filosofia do Direito de Hegel - Introdução. Escrito entre dez./1843 e jan./1844 e públicado nos Anais Franco-Alemães, Paris, 1844. Trad.: J. C. Bruni; R. M. Castell. VER O TEXTO COMPLETO NO LINK AO LADO.
Escrito por Prof. Vicente às 12h45
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Pela liberdade de pesquisa, contra o obscurantismo religioso
http://www.PetitionOnline.com/pesqcel/petition.html
Para assinar a petição a favor da liberdade de pesquisa com células-troco, entre no link acima. Não podemos deixar que uma visão religiosa medieval impeça o avanço da pesquisa científica em nosso país! Em defesa do nosso livre pensar e em defesa do Estado Laico, leiam e assinem a petição reproduzida abaixo.
Categoria: Link
Escrito por Prof. Vicente às 16h45
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Pró-células-tronco embrionárias
Direito à esperança de cura e vida, sim. Ao obscurantismo, não.
Brasília, 20 de abril de 2007. Definitivamente, um marco na história do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 178 anos de existência, a mais alta corte do Brasil realizou, pela primeira vez, uma audiência pública. Objetivo: ouvir cientistas sobre a lei que autoriza a realização no país de pesquisa com células-tronco embrionárias. Pudera. É a aposta de investigadores do mundo inteiro para a cura de várias doenças ainda incuráveis, como mal de Parkinson, diabetes, doenças neuromusculares e secção da medula espinhal por acidentes e armas de fogo.
A avançada lei foi aprovada pelo Congresso Nacional por placar estrondoso: 96% dos senadores e 85% dos deputados federais deram-lhe a vitória. O presidente Luís Inácio Lula da Silva fez o mesmo. Rapidamente a sancionou. Só que ela parou no STF porque o subprocurador-geral da República, Cláudio Fonteles, alegou que é inconstitucional. Questionado sobre se sua ação não teria motivação religiosa, o franciscano Fonteles acusou a geneticista, professora e cientista Mayana Zatz de viés judaico. Fonteles disse ao jornal Folha de S. Paulo: "A doutora Mayana Zatz, que é o principal elemento de quem pensa diferentemente da gente, tem também uma ótica religiosa, na medida em que ela é judia e não nega o fato. Na religião judaica, a vida começa com o nascimento do ser vivo. Então, ao defender a posição dela, ela defende a posição religiosa dela, que é judia e que a gente tem de respeitar".
Acontece que: 1º) A posição de Mayana Zatz em defesa da pesquisa com células-tronco embrionárias não é pessoal e muito menos religiosa. A geneticista participou da audiência pública no STF como porta-voz da Academia Brasileira de Ciências, da qual é membro. Sua postura é a mesma defendida pelas academias de ciências de outros 65 países.
2º) Há 30 anos Mayana trabalha com doenças neuromusculares letais ou altamente incapacitantes. Já viu milhares de crianças, jovens e adultos afetados morrerem sem qualquer chance de cura. Tanto que, para melhorar-lhes a qualidade de vida, fundou a Associação Brasileira de Distrofia Muscular (Abdim), da qual é presidente. Mayana é professora titular de Genética, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e pró-reitora de pesquisas da USP. Publicou 280 trabalhos científicos já citados mais de 4.500 vezes.
3º) Agora, pela primeira vez, vislumbra, num futuro próximo, uma possibilidade real de tratamento para várias doenças neurodegenerativas. Sua esperança está justamente nas células-tronco embrionárias. Somente elas têm a capacidade de se diferenciar nos mais de 216 tipos de tecido do corpo humano.
4º) Mayana, como outros cientistas brasileiros, trabalha há alguns anos com células-tronco adultas. Os resultados preliminares de suas investigações bem como os de outros presentes na audiência do STF e diretamente envolvidos com tentativas terapêuticas para diferentes condições (problemas cardíacos, diabetes, derrame, mal de Chagas, esclerose lateral amiotrófica e paraplegia decorrente da secção da medula) mostram, no entanto, que a pesquisa com células-tronco embrionárias é fundamental. São elas que ensinarão os cientistas a programar as células-tronco adultas, de modo que se transformem nos tecidos desejados. As células-tronco embrionárias podem ser obtidas a partir de embriões de até 14 dias .
5º) A lei brasileira permite a utilização de embriões produzidos em laboratório para fins de reprodução assistida. Porém atenção! não abrange todos. Autoriza apenas o uso daqueles inviáveis para gestação ou congelados há mais de três anos, cuja probabilidade de gerar um ser humano é praticamente zero. A lei prevê mais: os embriões só poderão ser utilizados após autorização dos genitores. Portanto, aqueles que tiverem qualquer restrição de ordem moral ou religiosa não terão seus embriões usados para fins de pesquisa. Com o passar do tempo, os embriões deterioram-se inexoravelmente, perdendo o "prazo de validade". Por que então não utilizá-los de forma ética e responsável em benefício do futuro e da evolução da humanidade, salvando vidas?
6º) Na prática, conseqüentemente, proibir a pesquisa com células-tronco embrionárias significará, de um lado, continuar dando aos embriões excedentes nas clínicas de fertilização um habitual e inglório destino: o lixo. De outro, tirará a esperança de cura portanto, de vida de milhares de pessoas. Ninguém tem esse direito.
7º) A luta pela vida está acima dos credos. Logo, não se pode misturar ciência com religião, sob o risco de se voltar ao obscurantismo da Idade Média a idade das trevas.
8º) O Estado brasileiro é laico. Assim, a tentativa de desqualificar os argumentos científicos de Mayana com insinuações anti-semitas é lamentável. No mínimo, contraria a tradição brasileira de tolerância e respeito à diversidade religiosa.
9º) Felizmente, Mayana não está sozinha. A defesa da pesquisa com células-tronco embrionárias já permeia largos segmentos da comunidade científica e da sociedade civil brasileiras.
Por tudo isso, nós - de diferentes religiões, etnias, profissões, níveis socioeconômicos, idades - repudiamos a desesperada manobra para desviar o foco do debate. À Mayana, nosso apoio e solidariedade irrestritos. A sua batalha pela vida é também de todos nós. Direito à esperança de cura e à liberdade de pesquisa, sim. Ao obscurantismo, não.
Mayana Zatz Professor of Genetics Director- Human Genome Research Center Research Dean University of São Paulo President-Brazilian Muscular Dystrophy Association email:mayazatz@usp.br
Escrito por Prof. Vicente às 16h39
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MANIFESTO
A intolerância do Sr. inquisidor
O Sr. Ratzinger mal colocou os seus santos pés no avião que o conduziria ao Brasil e já ameaçou o Estado laico brasileiro ao prometer excomungar os deputados católicos que votarem a favor do aborto. Tendo em vista a crença de que o diálogo, a compreenção e a tolerância são as únicas formas de manter uma convivência humana saudável e pacífica, transcrevo, a seguir um Manifesto de entidades católicas contrárias ao conservadorismo intolerante que o atual sumo-pontíficie pretende implantar no ocidente cristão afetando, inclusive os que não professam esta fé.
Entidades que assinam o Manifesto:
- JOVENS FEMINISTAS DE SÃO PAULO
- CORSA - CIDADANIA, ORGULHO, RESPEITO, SOLIDARIEDADE E AMOR
- GRUPO IDENTIDADE - GRUPO DE AÇÃO PELA CAIDADANIA DE LÉSBICAS, GAYS, TRAVESTIS, TRANSEXUAIS E BISSEXUAIS- CAMPINAS
- RAIO X COMUNICAÇÃO
- CASVI - CENTRO DE APOIO E SOLIDARIEDADE A VIDA
- GRUPO E-JOVEM DE ADOLESCENTES GAYS, LÉSBICAS E ALIADOS
- MARCELA MOREIRA - (VEREADORA EM CAMPINAS/SP -PSOL)
- VALÉRIA ALVES DA SILVA (PROJETO CAMARÁ - CENTRO DE PESQUISA E APOIO À INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA)
- VANESSA ALVES DA SILVA (PROJETO CAMARÁ )
- VANESSA SANTOS DA SILVA (PROJETO CAMARÁ)
- FÁTIMA CAROLINA BAETA (PROJETO CAMARÁ)
- ADRIANA DANTAS DE SOUSA GAMA (PROJETO CAMARÁ)
- ELIZADETE BORGES DE NOVAES (PROJETO CAMARÁ)
- LUMENA CELI (PROJETO CAMARÁ)
- TEIXEIRA (PROJETO CAMARÁ)
- DANIELA YONE (PROJETO CAMARÁ)
- UECHI (PROJETO CAMARÁ)
- JOSÉ CARLOS MORAES FERREIRA NÁZARA (PROJETO CAMARÁ)
- JOÃO CARLOS GUILHERMINO DA FRANCA (PROJETO CAMARÁ)
- BRUNO RODRIGUES DA SILVA
- ALDER AUGUSTO DA SILVA (COORDENADOR VIRAJOVEM /REVISTA VIRAÇÃO)
- GLBT SOCIALISTAS
- GRUPO GLBTT DA ZONA LESTE
- INOVA - FAMÍLIAS GLBTT
- ASSOCIAÇÃO DA PARADA DO ORGULHO GLBT DE SP
- INSTITUTO EDSON NÉRIS
- NEPS - NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE AS SEXUALIDADES
- MINAS DE COR
- CFL - COLETIVO FEMINISTAS LÉSBICAS
- FLOR DO ASFALTO
- INSTITUTO APHRODITHE
- INSTITUO SER HUMANO
- GRUPO ATITUDE - SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
- CRESS/SP - CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL
- ASSOCIAÇÃO VIVA A DIVERSIDADE
- GADA - GRUPO DE AMPARO AO DOENTE DE AIDS
- CECON JOANA D'ARC
- ABCDS - AÇÃO BROTAR PELA CIDADANIA E DIVERSIDADE SEXUAL
- GESC
- MOLECA - MOVIMENTO LÉSBICO DE CAMPINAS
- FALT - FAMÍLIAS ALTERNATIVAS
- APTA - ASSOCIAÇÃO PARA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA AIDS
- PRISMA - DCE LIVRE DA USP
- GRUPO GATTA
- GRUPO ELES
- ROSA VERMELHA
- ONG SAÚDE & CIDADANIA
- ROSANE RIBAS - ATIVISTA SANTO ANDRÉ
Contato:
Católicas pelo Direito de Decidir
www.catolicasonline.org.br
cddbr@uol.com.br
(11) 3541-3476
Escrito por Prof. Vicente às 15h21
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Manifesto Jovens pelo Direito de Decidir
Todo jovem tem capacidade de decidir pela vida que deseja ter e o direito de dar significado a ela.
A visita do Papa ao nosso país está mobilizando toda a comunidade católica brasileira, com ampla repercussão na mídia. Em decorrência disso, em março e abril de 2007, alguns jovens de diversos movimentos sociais de juventude (étnico/racial, cultural, religiosa, político-partidária, gênero e diversidade sexual) se reuniram para elaborar um documento, para manifestar ao Papa e à nossa sociedade o quão prejudiciais e impactantes são para as/os jovens as rígidas posições da hierarquia católica sobre a sexualidade. Tais posições provocam sérias conseqüências sobre os direitos sexuais e reprodutivos de toda a população, até mesmo para quem não segue o catolicismo. Estamos nos referindo às concepções católicas que condenam o uso de anticoncepcionais e camisinha, a diversidade sexual, o sexo por prazer e antes do casamento, o aborto, entre outras. Um dos segmentos mais atingidos por esse pensamento católico é o das/dos jovens, que representam cerca de 22% da população brasileira[1]. O padrão moral valorizado pela sociedade, com base em concepções fomentadas pela hierarquia católica, é o heterossexual cristão, branco e adulto. Além disso, essa hierarquia ainda dita normas que determinam que o sexo seja somente praticado dentro do casamento e com finalidade exclusiva de reprodução. Assim, tudo o que foge desse padrão acaba sendo estigmatizado, malvisto, desvalorizado e excluído. De forma geral, as religiões podem ajudar as pessoas a superar dificuldades e a dar sentido para suas vidas, mas essas idéias especificamente geram preconceito, exclusão, discriminação e violência; ou seja, pecado.Essa postura também atinge as mulheres, que reiteradamente são colocadas em situação de inferioridade. O papel que é imposto às mulheres como destino - o de esposa e mãe, baseado numa condição biológica determinista - as mantém em situação de vulnerabilidade. Nesse quadro, também se deve levar em conta a proibição pela igreja católica do uso do preservativo e anticoncepcionais, o que resulta em gravidez sem planejamento e também no aumento do índice de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis (incluindo a aids), o que atinge principalmente as jovens, as pobres e as negras.Afirmamos que, a legalização do aborto deve ser discutida com urgência por toda a sociedade, haja vista que o aborto clandestino, hoje, representa a quarta causa de mortalidade materna no Brasil, o que, como sempre, afeta mais as mulheres pobres. Consideramos que a interrupção de maneira legal e segura de uma gravidez não desejada tem de ser direito da mulher, que deve ter autonomia sobre seu próprio corpo. Direito este exercido pela própria "mãe da Igreja", quando, conscientemente, teve a liberdade de dizer "sim". Gostaríamos também de ressaltar que repudiamos a condenação da diversidade sexual (LGBTT - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) pela igreja católica, o que vem perpetuando a discriminação e a violência contra esse segmento da população. Diante disso, a igreja católica, na pessoa do Papa, tem sido oficialmente incoerente com a máxima do Cristo: "Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância" (Jo 10, 10). A junção desses fatores culturais/sociais - sexistas, homofóbicos e racistas - que a igreja católica fomenta, promove a manutenção de um sistema excludente e desigual, que é justamente a base do capitalismo. Vivemos em uma sociedade que necessita da desigualdade para a sua manutenção, já que nem todos podem ter a mesma quantidade de riquezas e oportunidades. Entendemos que uma igreja que prega o amor ao próximo e a fraternidade como valores essenciais, não pode estar na contramão da busca da igualdade, logo, não deveria promover idéias que geram preconceitos. Exigimos que a igreja católica, em um processo de conversão institucional, volte-se a sua missão já proclamada na América Latina há alguns anos: "Opção preferencial pelos pobres"!
A capacidade de construir as regras morais, que regulam a convivência social, é uma característica dos seres humanos, mas elas podem - e devem! - ser elaboradas a partir de convivência pacífica e consensual, não sendo admissível que sejam impostas.
O Estado é responsável pelas políticas públicas necessárias para a vivência saudável e autônoma da sexualidade, mas se ele se pautar pelas posições da igreja católica, ou de qualquer outra igreja ou religião, estará negando um princípio democrático fundamental. Dessa forma, inclusive, impede a pluralidade religiosa, pois cria privilégios para algumas religiões em detrimento de outras. O Estado tem o dever de garantir a liberdade de expressão das diversas crenças religiosas que existem no país, caso contrário, estará fomentando o preconceito quanto a credos religiosos não majoritários, como ocorre com as religiões de matrizes africanas (candomblé e umbanda). Assim, reiteramos que é necessário reafirmar o Estado Laico como uma das condições para um Estado democrático e que, para as igrejas e religiões, cabe a necessidade de se compreender o caráter missionário e evangélico do macro-ecumenismo, para que em um mundo tão individualista e em guerras, de fato, todos sejamos um.
Com este manifesto, queremos que o Papa, os demais membros da hierarquia católica e toda a sociedade nos ouçam, nos vejam e, finalmente, nos respeitem, promovendo as mudanças necessárias e urgentes em suas posições que nos permitam viver em um mundo mais justo, fraterno e igualitário.
E se você, que é jovem como nós, também sente o quanto essas incoerências afetam a sua vida, saiba que não está sozinho/a. Questionamos as posições da igreja católica, mas não queremos negar a crença de ninguém, mas, sim, reafirmar nosso direito universal à autonomia e a uma vida plena, prazerosa e sem violência ou discriminação. Somos jovens decididos a decidir, a partir de nossa experiência encarnada, contra as normas violentas que nos são impostas, mas fielmente ligados/as a uma espiritualidade, ou práticas sociais, que nos libertam e nos têm tornados mais felizes.
[1] Dados do Censo 2000, realizado pelo IBGE.
Escrito por Prof. Vicente às 15h11
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Autor: Leonardo Boff
Quando: Setembro/2006
Tendo em vista a breve visita do Sr. Ratzinger ao Brasil, interessante ler o artigo do ex-frei Leonardo Boff a respeito do chefe do Estado do Vaticano e líder espiritual do catolicismo romano.
Mau exemplo do Papa
A atitude do Papa Bento XVI está provocando justificadas iras entre as comunidades islâmicas por causa da infeliz citação de um imperador bizantino do século XIV segundo o qual “Maomé defendia coisas más e desumanas, como sua ordem de difundir a fé pela espada”. Mas também causou escândalo e vergonha para os cristãos. A citação é totalmente inoportuna. Sabe muito bem o Papa do enfrentamento ora existente entre o Islã e o Ocidente que faz guerra ao Afeganistão e ao Iraque e que abertamente apoia a causa israelense contra os palestinos, de maioria islâmica. Nesse contexto a citação alinha o Papa às estratégias bélicas do Ocidente. Como não se irritar contra esta atitude? Para nós cristãos a atitude do Papa nos deixa perplexos porque é da essência da fé cristã perdoar e rezar como o pobrezinho de Assis: “onde há ofensa que eu leve o perdão”. Não querendo perdoar, o Papa legitima todos aqueles que não querem pedir perdão nem na vida cotidiana, nem aos negros que escravizamos por séculos, nem aos sobreviventes dos indígenas que dizimamos. Se o Papa não faz oficialmente um ato de desculpa, nos dá um mau exemplo. Não cumpre o mandato do Senhor de “confirmar os irmãos e as irmãs na fé”. Mas este seu gesto não é isolado. Como Cardeal, se opôs à entrada da Turquia na Comunidade Européia pelo simples fato de ela ser majoritariamente muçulmana. Há pouco tempo suprimu no Vaticano a instância que promovia o diálogo Cristianismo-Islamismo. No documento Dominus Jesus de sua autoria de 15 de setembro de 2000, um dos textos mais fundamentalistas dos últimos séculos, afirma que “a única religião verdadeira é a Igreja Romana Católica” e que “os seguidores de outras religiões objetivamente se encontram, com referência à salvação, numa situação gravemente deficitária”. Não faz sentido encontros com outras religiões porque “é contrário à fé católica considerar a Igreja como uma via de salvação ao lado de outras”. Neste transfundo, não causa estranheza seu discurso na Universidade de Ratisbona. Mesmo assim, não seria mais digno ao Papa pedir claramente perdão pelas incompreensões que provocou mesmo involuntariamente? Por que não o faz? Para entendê-lo, precisa-se comprender a ideologia infalibilista que vigora no Vaticano e em geral na Igreja. Segundo ela, o Papa não pode errar, embora o dogma da infalibilidade seja muito restrito. Afirma que o Papa é somente infalível em situações bem delimitadas, gozando então, pessoalmente, daquela infalibidade que é de toda a Igreja. Mas a ideologia infalibilista atribui de forma ilegítima infalibilidade a todas palavras do Papa. Se ele pedir perdão, confessa que errou o que não é permitido pelo infalibilismo. Funciona na cabeça do Papa Bento XVI o despotismo papal formulado ainda em 1302 por Bonifácio VIII que rezava: “para cada criatura humana é absolutamente necessário para sua salvação estar submetida ao Papa em Roma”. Isso não foi abolido sequer pelo Concílio Vaticano II em 1964. Foi introduzida nos textos uma “Nota explicativa prévia” onde se reafirma que o Papa pode sempre agir “segundo seu parecer pessoal” como nomear bispos, estabelecer normas e estabelecer políticas eclesiásticas. Em outras palavras: Um Papa pode autonomamente decidir tudo; um bilhão de católicos juntos não pode decidir nada. Esse absolutismo nos faz entender as razões do Papa em não pedir perdão. Transcrição página http://www.leonardoboff.com/ de Leonardo Boff Setembro de 2006.
Categoria: Citação
Escrito por Prof. Vicente às 00h16
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COMPAIXÃO OU PIEDADE?
A ciência, assim como a língua que falamos, por exemplo, não é neutra. É indiscutível a forma pela qual as palavras ganham sentidos diversos com o passar do tempo. Essa aquisição de significados possui diversas causas, mas jamais a mesma é ocasional, já que o idioma, como componente cultural, é resultado das interações sociais. Numa época na qual muito se fala de inclusão, e pouco se faz, principalmente na área educacional, é interessante notar como a questão da igualdade é abordada sem a devida correção. Sistematicamente, diferença é confundida com desigualdade. Ora, diferença tem como antônimo identidade ao passo que desigualdade é o contrário de igualdade. Enquanto os dois primeiros termos indicam apenas características, origens, propriedades ou aparências distintas sem, contudo, possuir sentido axiológico, os dois últimos sugerem uma relação hierárquica, de julgamento de valor. A mesma lógica que considera diferença e desigualdade termos correspondentes toma por sinônimo compaixão e piedade. Entretanto, compaixão indica afeto, solidariedade, de identidade, como o próprio nome sugere – compartilhar dos mesmos sentimentos. Já piedade significa pena, dó e pressupõe superioridade hierárquica de quem a sente em relação ao objeto deste sentimento. O ato de compaixão exige em troca apenas a reciprocidade, enquanto a ação piedosa cobra a gratidão (nem que seja um “Deus lhe pague”), o reconhecimento da subserviência por parte do sujeito passivo, enfim, o reconhecimento do seu infortúnio. Outra questão é que compaixão parte da identidade, do reconhecimento racional da situação do outro, visto como igual; enquanto piedade (de pio, sinônimo de crente, aquele que acredita), tem fundamento na fé, na moral religiosa, vê no outro um desigual, um indivíduo inferior, digno de pena. Exemplo perfeito para ilustrar esta discussão é o filme Quanto vale ou é por quilo? de Sérgio Bianchi. A película mostra toda a hipocrisia que cerca as organizações não governamentais (ONGs) que se dedicam à filantropia. De forma magistral o diretor conta a história em dois tempos históricos do Brasil – o atual e o da escravidão, desvelando a indústria da miséria. Desempenhando o papel de intermediário entre os que doam e os que recebem, as ONGs transformam esta atividade num lucrativo negócio. A continuidade da miséria e da exclusão, do tempo da escravidão até a sociedade atual, é exposta de forma nua e crua. Não interessa acabar com a miséria, a “galinha dos ovos de ouro” deste negócio, mas sim reproduzi-la, com a exploração de indivíduos subservientes e agradecidos. O que se vê não é compaixão e sim piedade, com todos os ingredientes que, invariavelmente, a acompanham – a falsidade, a hipocrisia, o preconceito, a prepotência, a exploração e a sede pelo poder. Como não poderia deixar de ser, a justificativa é sempre a religião, a fé, a esperança de garantir um lugar no céu, a compra da indulgência, o perdão divino. São os fins justificando os meios, pois a Igreja é a mesma que recorria à fogueira, quando se tratava de garantir a manutenção de seus dogmas, afirmando ser um ato de piedade em relação ao pecador que, com a morte e a tortura, teria seus pecados expiados. No Brasil a Igreja que hoje, com tanto afinco, condena a utilização de óvulos fecundados para pesquisa científica, considerava a escravidão negra como “um mal necessário”. Afinal, para estes indivíduos piedosos, religiosos e “tementes a Deus”, cabe uma pergunta em relação à vida humana: Quanto vale, ou é por quilo?
Escrito por Prof. Vicente às 00h47
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ABAIXO O ANTIGO REGIME! Os embates entre ciência e religião remontam ao século XVI e, ao que parece, estão longe de terminar. Em pleno século XXI as religiões ainda representam obstáculos ao avanço do conhecimento humano. O descompasso entre o desenvolvimento tecnológico e as formas de organização social, no planeta, são gritantes. Falamos em globalização e Internet e, no entanto, em diversos pontos no mundo vive-se como nossos ancestrais pré-históricos. O Antigo Regime, simbolicamente derrubado em 14 de julho de 1789, na França, convive com computadores, celulares e nanotecnologia. Regimes teocráticos que relegam as mulheres à condição de objetos, de apêndices e aparelhos reprodutores, obrigadas a respeitarem seu amo e senhor e se cobrirem dos pés à cabeça, coexistem lado a lado com sofisticadas máquinas. No ocidente temos o fundamentalismo cívico cristão ("In God we trust"), que proibe o ensino de Darwin nas escolas públicas e impõe o ensino do criacionismo (Gênesis), entre outros absurdos, tudo em nome de "Deus" e convivendo com tenologia de ponta. Pensamos tanto em futuro e nos esquecemos de resgatar questões levantadas pela humanidade há milênios, como por exemplo o humanismo. Sim, o humanismo pensado pelos filósofos gregos, cristalizado nas leis de Roma, renascido no ocidente no século XV e levado às suas últimas conseqüências nas barricadas revolucionárias de Paris do século XVIII. Isto sem falar nas revoluções abortadas, nos atos heróicos isolados de sonhadores e aventureiros. Tanto sangue correu durante a história da humanidade para garantir o simples direito de pensar, agir e sentir. O que diria Giordano Bruno, cinco séculos após sua bábara execução em nome da fé católica; qual a reação de Galileu Galilei, condenado ao eterno silêncio, apesar da sua hipócrita absolvição pela Igreja após mais de quatro séculos de sua morte, ao verem que, em nome da religião, ainda se mata, se condena, se censura e se impede o desenvolvimento da ciência e da busca por novas formas de organização social? Ciência e religião, razão e fé. Como duas coisas tão distintas podem significar uma oposição? Duas dimensões da vida humana que deveriam estar muito bem separadas, pois icompatíveis. Razão é dúvida, fé é certeza. Por que este medo do ser humano pela dúvida, pelo mistério. Me espanta a arrogância religiosa de ter uma explicação para tudo e isto porque os homens de fé se dizem humildes! Se dizem "tementes a Deus"! Que deus é este que inspira, ao mesmo tempo, sentimentos tão díspares como medo e arrogância naqueles que nele crê? Enquanto o sentimento religioso se restringe à crença pessoal, à uma questão de foro estritamente íntimo, não há problema, isto é humano. Entretanto, quanto este sentimento é institucionalizado, organizado, escrito, dogmatizado e imposto, tornando-se um poder capaz de decidir o que é certo e errado, a vida ou a morte, a virtude e o pecado para toda uma coletividade, inclusive para aqueles que não professam a mesma convicção, aí temos a ditadura, o despotismo e a barbárie, que nega a auto determinação do ser humano. Vamos pensar um pouco sobre isto. Já não está na hora de retomarmos o fio da meada, perdida entre chips, bites, sites, links e inteligência virtual? Que tal pensarmos em abolir o Antigo Regime, que ainda vigora em proporção global? Que tal retomarmos o velho grito de guerra de nossos ancestrais da França do século XVIII: "Vive la Révolucion! Mort au Ancien Régime!"
Escrito por Prof. Vicente às 12h56
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DICA DE LINKS
Algumas dicas de Links para quem estuda e pesquisa. Aqui ao lado, alguns sites muito interessantes para buscar artigos e textos, que podem ser baixados e reproduzidos, desde que citada a fonte. O site do CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas possibilita baixar artigos, livros e documentos relativos à História do Brasil Contemporâneo. O site marxistas disponibiliza uma grande quantidade de obras de autores marxistas que podem ser baixados, copiados e impressos. Além disso, há um site de busca em sebos do Brasil todo, onde você pode comprar um livro esgotado - ótimo para quem não tem tempo a perder nas prateleiras empoeiradas dos sebos. Abaixo, um link de uma ferramenta muito útil para elaborar referência bibliográfica - é só preencher os campos com as informações pedidas e ele, automáticamente, organiza a referência de acordo com as normas da ABNT. Fácil, fácil!
Escrito por Prof. Vicente às 17h33
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
http://robot.rexlab.ufsc.br/referencia/
Ferramenta que possibilita organizar e elaborar referência bibliográfica de acordo com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnica).
Categoria: Link
Escrito por Prof. Vicente às 17h15
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finalidade
Este blog pretende ser um canal de comunicação e difusão de idéias, materiais, textos para amigos, alunos e ex-alunos.
Escrito por Prof. Vicente às 13h28
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